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Práticas para destrinchar a paisagem

 

Destrinchar, recortar, medir, organizar e compor são verbos que fazem parte do vocabulário poético de Letícia Lampert. O desejo de compreender a relação entre o olhar e aquilo que nos cerca diariamente aparece em sua produção através de variadas composições e tipologias – por vezes paisagens mínimas e delicadas, por outras cidades que ganham corpo a partir de sua criteriosa elaboração.

Nos trabalhos aqui apresentados, a urbe é o impulso e o palco para as suas experimentações. A fotografia, o seu modo de operar, seu instrumento. É a partir da imagem que a cidade se torna palpável. É possível, então, experimentar a paisagem. Ao desfazer a cena, Letícia busca compreender a composição aglomerada que forma as cidades contemporâneas. Em suas imagens, a falta de perspectiva e espaço entre os prédios, janelas vizinhas quase coladas, reduzidas áreas verdes e o pouco espaço que sobra para vermos o céu, denunciam o crescimento acelerado e sem planejamento dos centros urbanos. Propositalmente uma cidade sem nome, que pode ser qualquer uma e todas ao mesmo tempo.

O excesso de caos a que já estamos acostumados ganha, assim, uma nova dimensão, divertida e sensível. Ao subtrair, Letícia salienta, ao compor, satura, fazendo emergir pontos de atenção, aqueles mesmos que passam batido em meio a correria diária. O exercício de olhar para a cidade torna-se então um exercício para aprender a ver melhor, como um quebra-cabeças que em sua montagem nos ensina sobre a composição e apenas pronto nos permite ver o todo.

 

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Texto escrito para exposição individual de Letícia Lampert
Câmera Sete | Fundação Clóvis Salgado | Belo Horizonte, 18 de abril a 7 de julho de 2018

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